Imagens de Fernando Pires captadas na sexta, Centro de Porto Alegre
UM DESFILE DE PERGUNTAS E RESPOSTAS
De seus muitos méritos, o que mais me fascina no Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre é o dia em que os grupos ocupam quase simultaneamenteo centro da cidade, oferecendo um port-folio de projetos e estéticas de como fazer teatro de rua (e também teatro na rua). Sexta passada não foi diferente. Na condição de espectador que pode circular por cinco, seis espetáculos simplesmente andando 30 metros, me engajei novamente na expedição teatro a dentro.
Ante de comentar as montagens que conferi, devo apontar que percebo o teatro de rua em um momento de crise. Não que isso seja ruim - ou talvez seja uma condição permanente, não é? Mas a crise que percebo é fruto de uma série de muddanças urbanas, sociais e políticas que marcaram os últimos 30 anos. Teatro de rua, na época da ditadura, era uma afronta, um bastião de liberdade, uma afirmação da calçada como palco de declaração política. Nas últimas décadas, o Centro de porto Alegre (e, creio, de outras grandes cidades brasileiras) mudou de perfil - já não há cinemas, tornou-se praticamente um terminal de transbordo para quem anda de ônibus, boa parte da classe média transferiu suas compras para os shoppings com ar climatizado. O tempo é mais escasso, a sensibilidade do público ao que é estranho diminuiu - naufrágios, assassinatos, tsunamis e acidentes são registrados em celulares e transmitidos em rede mundial. Questionado em sua função política mais evidente, enfraquecido em seu potencial de apelo à curiosidade do público, o teatro de rua vive uma crise, se não! Acresce-se a isso as dificuldades: caso o grupo se contente em um teatro de rua roots, moldado a partir de corpo, voz, improvisação e adereços, tudo bem; mas, se a trupe quer contar com recursos adicionais de cenografia, som e luz (e esta vertente que demanda recursos maiores de produção se mostrou com força neste festival), a coisa engrossa.
As respostas variam de grupo para grupo e quanto às condições de produção - a noite de sexta foi um desfile de soluções e de perguntas. No post a seguir comento alguns destaques que não são da cena gaúcha.




